quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Algumas histórias são escritas e outras talvez acabem caindo naquele clichê de que devem ser vividas.
Sobre a minha, e a sua, eu simplesmente não sei.
Não sabemos o que é real ou não, não sabemos o que foi e o que deixou de ser.
A única coisa que eu sei, é que seguimos.
Como podemos, e em caminhos diferentes.
E eu me perco por um segundo, nos meus recém 19, e reparo.
Talvez em todas as palavras que existam por aí para encaixarmos em um texto, talvez em tudo que eu vivi desde então, todas as pessoas, todos os sentimentos e todos os olhares perdidos entre outros tantos… eu entenda que o que possa ser a maior desventura que eu já vivi, talvez tenha sido a maior verdade de uma vida inteira. Minhas. Nesses 19 anos.
Mas não vamos colocar isso em papel e tinta, e muito menos em uma tela de computador.
Essa história existe em nossas mentes, e só é capaz de sobreviver lá.
É só no silêncio da noite e no olhar cansado de quem volta de um dia de trabalho. É na atitude diferente do nosso padrão e na recusa de um sorriso do outro lado do copo de uísque. É o beijo dado e fugido, e é a apatia com um mundo que você está nele, mas não faz mais parte.
É desistir de estar em rodas sociais, em estar bêbado, em transar pelo simples fato de transar, é esquecer que você já foi feliz por algum momento e é se concentrar fortemente em algo que faça a diferença. É em respeitar a si mesmo e conseguir ajudar sua família e ter um pouco de compaixão com essa figura que te encara no espelho. É sair da merda depois de alguém ter te jogado nela: Você mesmo.
Eu já não sou mais marujo de lugar nenhum, e sim capitão do meu próprio navio, minha cara desaparecida. E você, por onde se esconde? De quem e para que lugares você ainda foge? Ainda há lá um mar de rosas e um coração vazio?
Sou capitão de um navio, em minha roupa de astronauta. Roupa essa que de capacete fechado mal as pessoas conseguem ver meu rosto verdadeiro, e sim apenas esse rosto cansado nessa estranha roupa de astronauta. Roupa essa, que não é roupa. É prisão.
E um dia, na minha lápide, espero que escrevam Axios. Assim como espero que escrevam na sua, ou no dia em que você dizer que sente de novo o que já sentiu um dia. E aí a família se úne, a igreja resolve tocar uma música e você está lá, de branco com alguém ao teu lado.
Axios. Eu mereço. Por tudo que eu fiz, por todas as atitudes e erros. Axios. Por cada lágrima perdida e dose de álcool ingerida. Axios. Por cada soco na parede, por cada sorriso amarelo e por cada dia sobrevivido. Axios. Para cada sentimento amassado e essa apatia que não sai. Axios, para o silêncio de quem fugiu e o silêncio de quem ficou.
E da poesia se desfaz a luz, e a noite cai. Amanhã eu inicio uma guerra da qual você jamais imaginaria que seria possível, e que talvez choraria, apenas por saber que faço para ficar o mais longe possível, de modo que sua mãe mantenha a promessa, e que você fique rodeada por aquilo que mais gosta. Eu, que não fui capaz de ser aquilo que era. E não é drama, não é sentimentalismo. É verdade. Te conto em segredo se você duvidar. Mas não é para ter pena não, sou eu que sou extremista e exagerado.
Axios para um lobo que já deixou de ser de uma garota que não está mais lá.
Algumas histórias são escritas, outras são fragmentos de uma coisa qualquer. E outras coisas são escritas como se merecessem alguma coisa. Assim como essa coisa, e aquela outra ali.
Pensamento Sem Título #15 - Vinícius S. Souza

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