“Tu achas que eu estou aqui. Tu achas que está
conversando comigo, e que eu presto atenção, que eu concordo, respondo,
discordo, te ouço, argumento e novamente discordo. Mas eu não estou
aqui.
Eu não estou nem aí. É que por tantas vezes eu achei que tu estivesse
comigo, tantas vezes eu, inclusive, jurei que estava conversando
contigo, e que tu prestavas atenção, concordava, respondia, discordava,
me ouvia, contra-argumentava e, novamente, discordava. Mas você não
estava aqui. Você não estava nem aí. E é assim mesmo, sumidos de nós
mesmos, que sobrevivemos aos golpes dos dias. Não é por acaso que surgem
em nossos caminhos esses buracos. Nosso caminho é o mesmo, nosso vetor é
o mesmo, mas é a nossa direção que nos faz bater de frente. E bater de
frente dói demais, justamente porque a gente sabe exatamente tudo sobre o
obstáculo que se aproxima, mas somos sempre acometidos pela
impossibilidade do desvio. Na verdade, a gente gosta mesmo é do
conflito. E isso nunca vai mudar.”
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