Depois de tantos tombos decidi pregar meus pés ao chão e viver com os pedaços que sobrou de mim. Eu caminhava sobre meus próprios cacos e sofria a cada novo passo. Eu, como qualquer comodista, já havia me acomodado com essa situação toda, pior, não movia um dedo se quer para fazer uma mudança ou sair desse furacão de confusões que eu havia me metido. Todos os dias quando eu acordava tomava pelo menos duas xicaras de decepção e ia para o mundo brincar de viver. “O que você tem?” Nada. Nunca foi nada, sempre foi alguma coisa. As pequenas coisas eram as que mais me machucavam, aquelas coisinhas bem bobas, palavras que não durariam mais que três segundos me faziam perder horas de sono durantes dias. E as grandes coisas? Essa eu carregava comigo todos os dias, colocava todas elas dentro de uma bolsa e a carregava comigo para onde eu fosse. Não é que eu ligue para a opinião alheia, mas eu acho que as pessoas só deveriam abrir a boca pra falar algo que fosse bom. Veja eu, sempre elogio, desejo bom dia, pergunto até como vai a família, quando realmente no fundo eu quero mais é que você, hipócrita de merda, você mesmo, que fala palavrão constantemente, que se aproveita de pessoas, que não da lugar para os idosos no ônibus, que quer levar vantagem em tudo, mas que todo domingo as oito horas da manhã esta lá sentado no primeiro banco da igreja rezando o pai nosso e pedindo que o seu futuro seja melhor, eu quero é mais que você exploda. Mas irei lhe tratar com todo respeito Sr. Aleivoso, mas como eu poderia exigir o mesmo de uma pessoa tão pequena? Seu sinônimo de felicidade basicamente se define em um dia de folga do trabalho ou assistir o jogo de futebol do seu time favorito. Mas de certa forma, eu deixei de ser quem costumava ser. Antigamente, eu iria tentar mudar uma pessoa com esse tipo de mentalidade. Mas quem sou eu pra dizer que essa pessoa não pode ter essa concepção de felicidade, eu nem sabia o que era ser feliz. Por mais que eu os odiasse no fundo sentia inveja. Sim, inveja.
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